Bebida

Enciclopédia etílica

Autor de uma obra de referência sobre cerveja, Ronaldo Morado, que se divide entre o interior e a capital, responde à pergunta que mais ouve: qual é a melhor marca?

Por: Clara Becker - Atualizado em

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O cervejólogo Morado em seu apartamento: hobby que virou profissão (Foto: Michael Melo) (Foto: Michael Melo)

Tudo nasceu como um hobby, desenvolvido para aplacar a solidão nos longos períodos fora do país. Executivo da área internacional de uma grande empresa, Ronaldo Morado gastava muito do seu tempo em viagens de trabalho. Nelas, cumpria sempre o mesmo ritual. Assim que desembarcava, pedia informações sobre os melhores bares locais. "Não ligava para restaurante. Gostava de bar mesmo", conta.

No início da década de 90, quando praticamente só havia cerveja pilsen no Brasil, ele já tinha experimentado os mais variados estilos mundo afora. Voltava ao país e contava aos amigos suas aventuras de copo. As conversas de bar logo viraram palestras abertas. Dos encontros, vieram os cursos mais longos e, deles, a demanda dos alunos por apostilas e bibliografia. Quando deu por si, Morado tinha um livro pronto sobre cervejas. Em julho de 2009, a prestigiada editora francesa Larousse publicou a obra. Ele tor-nou-se, então, autor da primeira enciclopédia a respeito do tema no Brasil. Depois disso, o assédio à sua vasta experiência só aumentou e as consultas telefônicas de conhecidos, amigos e jornalistas passaram a fazer parte da rotina.

Casado com uma brasiliense, Morado divide sua vida entre Ribeirão Preto (SP), onde preside uma cervejaria, e a capital. Para ele, a produção em Brasília ainda é incipiente. O cervejólogo não ousou apontar um grande expoente local, mas cita a criação da Associação dos Cervejeiros Artesanais do DF, em 2012, como um passo importante no desenvolvimento do setor.

Nos últimos dois anos, ainda segundo ele, aumentou o número de bons lugares para quem deseja ampliar seu leque de estilos e sabores de cerveja (veja o quadro), mas a oferta continua aquém do potencial da cidade. Morado explica que a procura por produtos mais refinados não se restringe ao universo cervejeiro. "Basta ver o design, a moda, a gastronomia, o vinho e o café", observa o especialista.

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Bebida - 2355 (Foto: VEJA BRASÍLIA)

Na opinião dele, o maior concorrente das microcervejarias no Brasil é o desconhecimento. Os produtos artesanais correspondem a somente 0,5% do mercado. "No ano passado, dei diversas palestras no Iate Clube e no CasaPark. O público brasiliense é ansioso por aprendizado", afirma. Invariavelmente lhe perguntam qual a melhor cerveja. A resposta é prosaica: aquela de que você gosta. Mas adverte: tomar a cerveja estupidamente gelada é algo estupidamente sem graça, pois isso mascara os sabores e aromas.

Fonte: VEJA BRASÍLIA